sexta-feira, 6 de setembro de 2013

BORBOLETAS NÃO! FALENAS

(Por Samira Hadara)

hoje não quero ser midas
ao tatear e transformar
o que cobiças em algo
sólido e ingerível,
maldição incansável
de fazer reluzir
o que não vai ser meu
não quero mais ser psique
e viver em desventuras
em busca de recompensas e perdões
hoje não quero mais os
mirmidões de minha vida
me cercando como chacais
apenas quero me entregar
ao sono e seus filhos
morfeu e ícelo
ser filha de júpiter e memória
ser quem sabe terpsicore ou érato
estar com baco e os sátiros
sorrir da sordidez dos deuses
e encarcerar os meus titãs
prendê-los nos tártaros de minha alma
não quero despertar os ciúmes
de vênus ou juno
e nem fenecer na ira de latona
quero tecer minha história
tão perfeita como aracne
mas sem desafiar minerva
unir-me aos centauros
cantos e ninfas e encontrar
o meu cadmo para ser sua harmonia.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

QUANDO PUS

(Por Samira Hadara)

O que dizer do pus?
Quando a imunidade baixa e a infelicidade entra, ai centra a falta de vitamina C.
Quando a bilirubina não se anima a derme chora.
Quando o corpo se apavora a cortisona implora e clama luz.
Quando a treva se instaura é pus.
Quando eclode a dor adormece tudo.

Quando tudo fenece, plaqueta some.
Isso é falta de amor.




terça-feira, 3 de setembro de 2013

FLORES DA SÍRIA


(Por Samira Hadara)


Os retângulos de minha boca maldita
Jaz a medida de minha alma redonda
Parir metragens 
Eis os espíritos que ardem 
Boca de baco
Falas de Almodóvar
Faz os anjos em hexágonos frívolos
Pentagramas de sangue
Estrelas circulares
Em sangue faz-se a estrela
Que estrangula meus antepassados
Às margens dos gazes
Sensações
Morte
Sorte
Andarilho que grita, geme e suplica pausas
Ouçam os ouvidos mais surdos
Olhem os que cercam como chacais
Não pensem na rosa de hiroshima
Pensem nas flores da síria.


Samira Hadara 01/09/2013

ÓRBITA PERDIDA





  (Por Samira Hadara)

Se todos os meus eus contidos em mim
atendessem as súplicas dos seus
aí tudo seria nosso.
Se todos os elementos com seus sacerdócios
pudessem me consumir
pediria com ardor o mais forte
não em sede e sim em fogo
ou em água
pois nelas afogaria meus lamentos
e queimaria minhas ânsias
sufocaria meus desejos sujos com água
e arderia em flamas meus gozos mais amargos
e assim sedentária com substância meus eus e os seus seus
aí tudo seria uno.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

FACA NA CARNE



-----------------------------------------------------------------------------------

FACA NA CARNE

(Por Samira Hadara)



سكين في الجسد
  • قطع عميق في جسدي
    إذا كان طين الدم فورية
    في صدري الشوق يحلم متعب
    لماذا نلوم العاهرة البلطجة
    يلوي سكين وبخ حتى جسدي يستحم
    أغمض عيني ويشعر السائل المنوي له الساخنة تغطي جسدي
    انزلاق ... الساخنة، وتحترق في اللهب
    بعد إفراغ الجسم انخفضت ومنقوع
    عيون زجاجية يحدق الآن ...
    A نبض اليد، صرخة اليأس واللحظة النهائي
    شعرت هزة في جسدي قتل تقريبا
    له النازي عرق نازف، فمه البصق وهو يتحدث، ومرة أخرى!
    شفتي أريد أن أطلب ... ترك لي هنا
    لا تبكي الكلبة ... قتل للتو أفضل عاهرة الخاص بك.

    (بقلم: سميرة الحضرة)
*tradução:

Faca na carne

Cortaria em profundo minha carne
Se no mesmo instante o sangue escorresse
Em meus seios os anseios devaneios cansados futres
Por culpa de um bandido filha da puta
Retorcer o punhal e fazer jorrar ate meu corpo se banhar
Fecharia os olhos e sentiria quente seu sêmen percorrendo meu corpo
Deslizando...quente, ardente em chamas
Depois do corpo caído esvaziado e encharcado
Olhos parados vitrificados...distantes
Uma mão pulsante, um grito de desespero e no momento derradeiro
Senti um solavanco em meu corpo quase que morto
Seu nariz pingava suor, sua boca cuspia enquanto falava, volte!
Meus lábios queriam pedir...me deixe aqui
Não chores filha da puta...acabara de matar sua melhor meretriz.