sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Espectro





( Samira Hadara )

Os espectros que nos ronda

Agora percorre a longas distâncias

Entrelaçando sentimentos

Amarguras

Mágoas

Morfinas 

E delírios odiosos

No fundo de tudo que foi guardado

No momento aquoso

Como elemento bifásico

Entre o peso do amor

Ao fundo

E acima as desventuras

Impostas e enfadonhas

Malfadada persistência 

Peso trágico em alta

Sua superfície oleosa

Mal cheirosa

Triste

Carente

Solitária

Paira sobre a leveza

Que Juraste fixante

Em tudo

Em pouco

Abafado afeto

Sucumbido pelo mundo à fora

Em profunda diacronia

Com a High Way

Nossos espectros

Sempre  

Em conexão

Seja de vinho

De ar ou de sexo

Os espectros se religarão

Em lembranças

Em toque

Em mão.


domingo, 20 de julho de 2014

Sexo transitório



(Samira Hadara)

Sexo por sexo
Por transar
Sexo por culpa
Sem amor
Sexo por raiva
Sexo por desconhecimento
Por desconto
Desconforto
Vagina seca
Olhar vidrado
Olhos em estado de choque
Sexo por desagrado
Por solidão
Por ocasião
Sexo por vomito
Por sua falta
Por morte
Pra morte
Sexo sem sorte
Sexo por esporte
Sem gozar
E com carinho?
Sinto vontade de rir
morbidamente ao acontecido
Sexo por silencio
Por descaso
Por falta de experiência
Sexo por consequência
Angustia
Sexo suicida
Tiro de 12 a queima roupa
no estomago
Sexo por caminho
Caminhos contrarios do sexo
Pessoas como eu acham
isso fácil.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

RECITAL SOTURNO



Willian Blake morreu
Arthur Rimbaud morreu
Edgar Allan Poe morreu
e antes que eu pudesse chorar as minhas perdas
você não recitou mais
então...a partir de hoje morreu minha poesia

Jim morrison morreu
Michelangelo Merisi da Caravaggio morreu
Magdalena Carmen Frieda Kahlo y Calderón morreu
e antes que minhas entranhas se revirassem dentro de mim
hoje não ouvirei mais seus nomes
morreu então a poesia dentro do meu organismo
derramou tinta, desapareceu o tom

minha história morreu
você morreu
minha verve morreu
e antes que eu pudesse sofrer a partida
hoje não escutarei seus gritos mundanos

Miles Dewey Davis Jr morreu
meu pulso morreu
minha alma morreu

Agenor de Miranda Araújo Neto morreu
e antes que eu desabasse 
que meus ossos não mais me sustentassem
nada mais ouvirei
somente o silêncio de tudo que eu amava.

Samira Hadara; 17, 06, 2014

quinta-feira, 20 de março de 2014

MIRÍFICO OUTONO

Poema: Samira Hadara
Pintura: Diego El Khouri



Bem vindo meu amado equinócio de outuno
Que traga xadres, milho e figo
Traças, hortas, colheitas
Que meus ouvidos sejam plenos

Os nevoeiros neblinem meus pensamentos
Hora dos abraços em hemisférios simétricos de luz
Onde a totalidade solar sorri com olhar sonso
Agora os elfos derramam leite sobre a terra
A deusa se ergue vestida de folhas
Encerra-se um ciclo
O panteão celta caminha para o oeste
Vestindo-me de vinho brindo
Bem vindo outono mirífico!

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

AOS POETAS TRIBAIS

(Por Samira Hadara)

aos poetas tribais
como revoada de paná
tem sua música
seu linguajar
querer adentrar nesta casta
aonde os normais são trouxas e broxas
a que são donos de seus talentos e suas taras
o escândalo é silêncio
e o pau brasil é sacanagem

entrar nessa tribo
é se despir de inocência
Evoé! Evoé!
martinez já cantava a pedra

baco é o maestro
onde Dionísio plasmeia em corpos
a garganta vomita vivência
ou... a profecia começa
vestir suas luxúrias particulares
gozos abertos
mulheres vestidas de céu
máscaras forjadas nos olhos
de fogo do recitante
das palavras de ouro
brilho de lua
alcaloide no sangue
banho de álcool
sativas presentes vestidas de seda
morrem de boca em boca
viver com os tribais da fala poética
é um perigo constante
poesia é uma droga sem volta

aos iniciantes cuidado!
os bacantes te espreitam
nas peladas à beira mar
lá na estrela do leme.

(02, 02, 2014)



* Pintura: Jovem Baco e seus seguidores
Autor:William-Adolphe Bouguereau
Ano:1884



sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

SOMOS TODAS DE SALÉM

(Por Samira Hadara)

Uma lembrança ao meu Bruxo e parceiro cósmico Diego El Khouri


SE ALGUÉM OUVE PASSOS
PRECISAMENTE SABE DA ONDE VEM
DAS NUAS VESTES ALEXANDRINAS OU GARDENERIANAS
SOMOS TODAS DE SALÉM
AS PRECES E AS DANÇAS
OS CHÁS E AS RIQUESAS DO DIVINO
SE COBREM A LUZ DA LUA
E DA NUA TEZ DO SEXO
MISTURAM-SE SENTIMENTOS
TODOS EVANECIDOS EM LOUVOR
CRESCIMENTO DE GRIMÓRIOS
PORÇÕES DE ORGASMOS
SENÇASÕES APARENTES
VIGENTES A VONTADE
COMANDANTES E VARÕES
TEMEI OS BASTÕES DA CRUELDADE FEMININA
VAGINA, MORTE E CARNIFICINA
ONDE SANGRAM OS PULSOS MOLHAM-SE VAGINAS
CORRAM...
CORRAM...
CORRAM RÁPIDO
EM PAURAS OS FALOS
DAS MOÇAS DE SALEM
DAS VIRGENS PROSTITUTAS
DAS MULHERES DO DEMÔNIO
AONDE FALOS SANTOS SE DELEITAM
ONDE HABITAM-SE OS MELHORES PRAZERES
MORADA DOS PERFEITOS
SOLDADOS SATISFEITOS
DESCANÇAM EM PAZ
SOMOS TODAS DE SALÉM.

(SAMIRA HADARA)




quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

CATALEPSIA MUNDANA

(Por Samira Hadara)


"Ave ou demônio que negrejas!
Profeta, ou o que quer que sejas!
Cessai, ai, c
essa!, clamei, levantando-me, cessa!
Regressa ao temporal, regressa
À tua noite, deixa-me comigo.
Vai-te, não fica no meu casto abrigo
Pluma que lembre essa mentira tua,
Tira-me ao peito essas fatais
Garras que abrindo vão a minha dor já crua."
E o Corvo disse: "Nunca mais."

(Edgar Allan Poe - O Corvo)


Sono impaciente pela noite
Madrugadas de desgastes e pensamentos
Vislumbrar o sangue e o suor se escorrer
Labutas fatídicas tempo perdido
Recomeçar ...recomeçar e recomeçar...
Tento cerzir enormes feridas
Com o mais fino dos fios
E por maior o esmero sempre deixa textura
Cansaço fadiga, olhos em brilho morto
Pernas sem sincronia, já não há mais caminhos
A mente se esgota...evanesce, ela esta anestesiada
Nada mais conflui
Nada se intitula
Nada se renova
Se move
Se pensa
E entre as linhas dos ligamentos neuropepitidianos
Não há mais rede
Sem conexão
Sem chão
Sem terra sem rumo
Ser imóvel no momento, é a parte que te cabe
Os lábios secos
A tez em pauta sob a custódia da gravidade
E nada...mas nada se renova
Conspirações se forjam sobre os pensamentos cadavéricos
Os fantasmas vestem suas roupas de gala
O teatro reinicia uma nova fase
E nada consegue se mover em meus neurônios
Respiração baixa
Pouco oxigênio
Hemoglobinas exauridas
Glóbulos em colapso
Entre os astros lunares e solares
Disfarço , acordo
Dispo minha tristeza
Me transponho em maquiagens
Torturo-me com os saltos
Banho de Amarige
Delineo minhas lentes
Abro a gaveta
Colo um sorriso
Vou para guerra
E finjo que sou feliz.





 Pintura:
Ophelia (1851-52) - pintura célebre de Sir John Everett